EM MEDJUGORJE EU TAMBÉM RESSUSCITEI !!!

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São 4:30 da manhã de 2 de abril. Devia ser mais ou menos naquela hora em que as mulheres do Evangelho foram ao jardim onde estava depositado o corpo de Jesus. É uma hora em que a escuridão prevalece, mas já se percebe que não durará muito. A Luz que ainda não aparece estende o seu poder. O que está envolvido pelo escuro, engolindo tudo, começa a revelar-se. Me impressiono como uma criança: a escuridão não existe. É somente a ausência da luz. E quando a luz aparece, a escuridão mostra a realidade. Assim acontece quando um véu de trevas cobre as circunstâncias da vida. Se vê somente a escuridão. Acontece. E nos amedronta. Não se é mais capaz de ver. Recorda-se que a realidade é a luz que a ilumina totalmente. Descendo do meu quarto da pensão, coloco as malas no hall do hotel e olho ao redor. É a manhã da partida. Foram dias de grande paz, até mesmo de repouso. Não tem ninguém. Lá fora tem uma pessoa fumando. A porta se abre automaticamente. Luciana está fumando serenamente. “Bom dia, não tem ninguém ?” pergunto a ela. “Olá, o café da manhã é as 5”. Compreendo que me enganei no horário. Pensava que 5 horas fosse a partida. Faz frio Naqela hora, as 4:30 da manhã. As mulheres do Evangelho não somente caminham no escuro para chegarem ao sepulcro, mas o ar daquela noite deveria ser fresco. Quen sabe o que elas estavam vestindo ? Eu entro. Com um olá silencioso me despeço de Luciana deixando-a em seus pensamentos com um cigarro na mão. A porta automática se fechou. Tento abrir. Não se move. Não tem ninguém. Não posso entrar até a hora em que o hotel esteja em funcionamento. Sorrio. Eu errei o horário, não tem ninguém e eu estou com frio. Vou então ao sepulcro como as mulheres das páginas finais dos quatro Evangelhos.

Em Medjugorje existe uma escultura de bronze enorme. Não belíssima para dizer a verdade, mas sugestiva. Se trata de um crucifixo que ressurge do sepulcro da própria cruz. É um Cristo enorme. É um Cristo crucificado e vencedor. É um Cristo acolhedor. Quando chegamos perto, os seus dois braços poderosos te envolvem. Está escuro e fresco. Silencioso. Diante daquele Cristo está sempre silencioso. Um silêncio cheio de afeto. Normalmente, diante daquela imensa escultura as pessoas ajoelham-se aos seus pés, e depois vão até o lado direito. No alto do joelho direito, saem gotas de água. Alguns dizem milagrosamente. Um dos tantos fatos sobrenaturais que acontecem neste lugar como as aparições de Nossa Senhora que ainda contecem hoje depois de 35 anos desde aquele 25 de junho de 1981, como a dança do sol que também assisti… Me lembro de algo. Existe uma página da Escritura em que se fala do lado direito do Templo no qual escorre um rio de água que pouco a pouco se torna impetuoso. Um pequeno rio que  se transforma em uma torrente impetuosa. Tudo o que é banhado naquela água refloresce. Nos Evangelhos, Jesus diz que o Seu Corpo é o Novo Templo do qual escorre uma fonte de água viva.

Me vem em mente que também o crucifixo em Guelfo está perfurado pelo lado direio. Bem, de qualquer forma, sem fazer mais perguntas, uma pequena gota aflora do joelho e começa a descer como se fosse uma lágrima. É comovente ver como as pessoas sobrem em um pequeno banquinho para tocar, acariciar, molhar alguns pequenos lencinhos brancos naquele líquido misterioso… É um gesto carregado de sentimento…

Lembro-me o que uma senhora, uma prostituta, fez aos pés de Jesus durante um jantar. Aproximou-se dos seus pés os banhando com as suas lágrimas e as enxugando com os seus cabelos. Existe uma ternura no gesto daquela senhora da qual perdemos em nosso cristianismo racional, muito lógico, em seus gestos litúrgicos em um lado e de uma religiosidade desprovida de emoção e paixão.

As pessoas em Medjugorje, assim como em outros locais, forçam você a redescobrir o relacionamento com Cristo segundo um alfabeto de gestos e sinais que são como cartas de uma língua antiga e nova. Sim, antiga porque se trata de gestos que pertencem para sempre à tradição católica. É sempre nova porque são ações perdidas e incomuns. Conservamos alguns sinais nos dias da Semana Santa como o beijo da cruz, a decoração dos cemitérios na sexta-feira santa, o lava-pés, a vela na liturgia pascal…

Aqui, em Medjugorje, o povo santo de Deus redescobre a falar nos sinais dos apaixonados. Me refiro a receber a Santa Comunhão de joelhos, com a língua, ao invés das mãos, ter as mãos juntas, falar através do silêncio (quanto silêncio nestes dias em meio a centenas de pessoas com Vicka, uma das videntes, ou em cima da colina das aparições), a caminhar de pés descalços pelas pedras pontudas, a ajoelhar-se para receber a benção do sacerdote, a beijar as suas mãos até recolher gotas que parecem com lágrimas que descem do joelho do Cristo Crucificado e Ressuscitado. Durante o dia, uma fila interminável e silenciosa se forma em torno do local para tocar o Cristo.

Acaricia-se a perna do Cristo Ressuscitado como a consolá-lo e também ser consolado. Abraça-se e beija-se. Recolhe-se esta lacrimação. É uma gota que atrai. Quando chego estou sozinha. Toda a lágrima de Cristo é para mim. Esta é a água que regenera, que dá a vida. Água que batiza. Não sei se ELE chora ou eu choro. As lágrimas se confundem. Estou grata por este encontro imprevisto e não programado. Me confundi com o horário da partida e me encontro pontualmente ao encontro com Deus.

Abraço o Cristo e LHE peço que me faça sair do meu sepulcro. E depois peço por todos os peregrinos que estão em casa, peregrinos na estrada selvagens da vida em procura de algo mais, em busca de um sentido, implorando por alguém que recolha o seu pranto. É o presente mais belo em todos estes dias, inesperado e delicadíssimo.

Quando retorno ao hotel todos já estão no café da manhã. As mulheres daquelas páginas do Evangelho depois de terem visto o sepulcro vazio e encontram o Senhor voltam para casa apressadas. É mais luz do que escuridão. E elas contam o que viram, anunciam, como sabem fazer as mulheres. Eu permaneço em silêncio. Tomo o café da manhã e me preparo para partir.

Afinal, faz somente pouco tempo que eu também ressuscitei.

Medjugorie 2016: le lacrime per regalo

Matéria original: http://medjugorjetuttiigiorni.blogspot.com.br/2018/01/a-medjugorje-sono-risorto-anchio.html

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